Organizações religiosas lançam manifesto em defesa da democracia, estado laico e liberdade religiosa

Uma aliança de lideranças e organizações religiosas e da sociedade civil lançou, esta semana, o manifesto interreligioso “A fé brasileira escolheu a democracia”. O documento é uma resposta clara ao que o grupo chama de “desafios reais”: o aumento da “desconfiança, polarização e discursos que fomentam a radicalização e a hostilidade”.

O manifesto reconhece a importância da fé para o povo brasileiro, afirma que a pluralidade de credo é característica intrínseca da nação e defende que a democracia — com seus processos eleitorais e suas instituições — garante o direito de “crer, de não crer, de discordar e de conviver”.

Como compromissos, os signatários reafirmam a defesa da democracia, das instituições e do estado laico como garantia de liberdade religiosa, a liberdade de crer e de não crer sem discriminação ou intolerância, o respeito ao processo eleitoral, o diálogo entre diferentes religiões e a promoção da dignidade humana.

A aliança compõe a iniciativa Religiões e Democracia do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) que, desde 2023, se organizou para debater as relações entre fé, diversidade religiosa e vida democrática. Entre os temas discutidos, está a análise do papel das bancadas religiosas no Congresso e a separação entre Estado e religião.

A publicação do manifesto se dá em um momento de atrito entre a campanha de Flávio Bolsonaro e a Igreja Católica. Um boato de que o candidato apoiaria a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil foi disseminado. Trata-se de um projeto apresentado na Câmara dos Deputados em 2007, pelo ex-deputado Victório Galli, aliado de Flávio Bolsonaro, e arquivado em 2008. O assunto foi resgatado após o candidato declarar, em agosto, que uma de seus primeiros atos como presidente seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

Flávio levou o caso à Justiça Eleitoral, que derrubou as publicações em redes sociais, incluindo outras que não citavam nominalmente o candidato e apenas debatiam o tema. Também acusou, sem provas, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de estar envolvida na divulgação do boato e de atuar junto ao PT para prejudicá-lo. A entidade emitiu nota repudiando a acusação sem provas.

No sábado, Flávio, que é evangélico, ergueu de forma oportunista uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante caminhada de campanha em São Paulo, fato que causou polêmica entre católicos — que não aceitaram o uso eleitoreiro da padroeira — e entre evangélicos, que repudiam a veneração de imagens.

Histórico de ataques

O clima de hostilidade não surgiu do nada. Lideranças de alguns setores neopentecostais — que não se confundem com o conjunto dos evangélicos que, do contrário, rejeitam o uso político da fé — têm ocupado espaços de poder com um discurso que faz da própria crença uma bandeira política e das demais, adversárias. É importante frisar que essa minoria não representa o todo e que a fé evangélica é tão legítima quanto as demais.

As religiões de matriz africana sofrem há muito tempo os efeitos disso. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou 2.472 casos de intolerância religiosa em 2024, representando um aumento de 66,8% em relação a 2023, a maior parte contra esse segmento.

A lógica não se limita a elas. Católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, protestantes históricos e evangélicos podem ser os próximos a ter a fé desqualificada em público, porque uma sociedade que tolera o ataque a uma crença passa a tolerar o ataque a todas.

Nesta terça (29), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) produziu, a partir da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) ligada à entidade, um relatório que aponta 61 ataques da extrema direita brasileira contra a entidade e seus integrantes desde 2018, ano em que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Entre as denúncias, estão o vídeo gravado por Jair Bolsonaro em 2018, em que chama a CNBB de “parte podre da igreja”, a fala do deputado Bilynskyj, que chamou a CNBB de “antro de comunistas” e o monitoramento da atividade dos bispos pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Nesta mesma semana, o papa Leão XIV condenou a extrema-direita ao ser questionado sobre seu crescimento na Alemanha, afirmando que suas posições não constituem uma “expressão autêntica do cristianismo”. “Os valores do Evangelho não dizem respeito ao ódio e à divisão, mas à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento”, disse. Ele também defendeu que a Igreja incentive a participação política voltada ao bem comum.

Confira e assine o manifesto aqui: https://fenademocracia.com.br/

 

CONTEE

hit botujojobetMarsbahiscasibomcasinoroyaljojobet girişjojobet girişmadridbetjojobetholiganbet girişjojobet girişmadridbet girişhd porno izlebahsegelfixbetfixbet girişjojobetmarsbahis giriş marsbahis giriş