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Reflexões sobre a união de trabalhadores e empresários em defesa da retomada do crescimento brasileiro

josegeraldoReflexões sobre a união de trabalhadores e empresários em defesa da retomada do crescimento brasileiro

 

Por José Geraldo Santana, assessor jurídico da Contee e do Sinpro Goiás

 

Machado de Assis, com a sua genialidade e refinada ironia, por meio de seu personagem Quincas Borbas – que dá razão e título ao livro quase autobiográfico; quase, porque biográfico é o livro Memórias Póstumas de Braz Cubas -, afirma, em sua filosofia Humanitas, que a guerra é conservação e a paz, destruição. Para ilustrar a sua tese, cria hipotética guerra entre duas tribos, por um campo de batatas, que não é suficiente para alimentar as duas, caso celebrem a paz.

Por isto defende a guerra entre as duas, por ser este o único meio, segundo a sua ótica, de uma delas sobreviver: a vencedora. Aí entra a ironia: ao vencido, compaixão ou ódio; ao vencedor, as batatas.

Esta filosofia é bem ilustrativa da sociedade capitalista; cabendo-lhe perfeitamente, com algumas adaptações. Nela, travam-se lutas sem trégua entre o capital e o trabalho, que são os seus pilares; sendo que o primeiro se alimenta da exploração do segundo; tudo fazendo para aniquilá-lo, não fisicamente, pois isto poria fim à sua fonte de sustentação; busca, com sofreguidão, o aniquilamento das conquistas e garantias daquele. Para tanto, serve-se de muitos ardis: inflação, demissão, terceirização, dumping social e etc.

Pois bem. Como, nos marcos do regime capitalista, o capital não se reproduz nem cresce sem a exploração do trabalho; e o trabalho não é contratado sem aquele; por ironia da vida social, há momentos que ambos são ameaçados, em decorrência de crises políticas e econômicas, oriundas de opções do Estado – que, segundo Engels, no livro “A Origem da Família, da Propriedade privada e do Estado”, foi criado para impedir que as classes antagônicas se devorassem, mas que se distancia da sociedade com grande velocidade.

O momento atual do Brasil é bem elucidativo neste sentido. A política de privilégio ao capital especulativo – que é na sua essência sanguessuga pois nada produz e se alimenta do que a sociedade produz -, em detrimento ao capital produtivo e do trabalho, tem como ameaça a paralisia total da vida econômica e social do país; pois que não há desenvolvimento econômico e social sem investimentos e expansão da produção e do emprego decente.

A retração total da economia, se, por um lado, provoca o colapso de empresas produtivas, tem como maiores vítimas os trabalhadores, que são desprovidos de tudo, a começar pelo seu bem mais sagrado: o emprego decente.

Em momentos que tais, para que os dois pilares da sociedade capitalista não sucumbam, veem-se eles na contingência de celebrar alianças, por assim dizer, pontuais, que não afetam as contradições insolúveis e inconciliáveis. Esta aliança tem como escopo a retomada do desenvolvimento econômico e social sem o qual o país vai ao rés do chão.

Com este propósito e nenhum outro, as seis maiores centrais sindicais de trabalhadores firmaram, no último dia 3, compromisso pelo desenvolvimento, com entidades empresariais, em concorrido evento realizado em São Paulo.

Como o desenvolvimento é mola propulsora da sociedade e do Estado Democrático de Direito, aderiram ao mencionado compromisso sindicatos, federações e confederações de trabalhadores, conselhos profissionais e a OAB- SP.

Frise-se que o comentado compromisso não implica à abdicação da luta contra a exploração do capital, bem assim, das já consagradas bandeiras e reivindicações dos trabalhadores. Ao contrário, tem como finalidade o seu fortalecimento e a sua conquista; que não se viabilizam no quadro caótico em que se encontram as bases econômicas e sociais do Brasil; como se colhe do documento assinado, quarto parágrafo, assim grafado:

“Recuperar a confiança e superar os atuais entraves aos investimentos em infraestrutura, destravar a capacidade do Estado para exercer suas funções, incrementar a produtividade, gerar empregos de qualidade, aumentar a renda média, garantir educação de qualidade, fortalecer a democracia e suas instituições, ajustar e redirecionar a política econômica e o regime fiscal para o crescimento são alguns dos desafios estruturais do nosso desenvolvimento. O combate ininterrupto à pobreza, à desigualdade, à corrupção e à ineficiência deve ser institucionalmente fortalecido”.

Por isto, e por nada mais, o ilustrado compromisso merece apoio de todas as entidades de trabalhadores, que almejam o Brasil cidadão, preconizado pela Constituição Federal de 1988.